O processador Intel Celeron a 266 MHz é actualmente o processador de base da Intel (fig. 3.38).
Fig. 3.38 – O Celeron
O Celeron disponibiliza a performance necessária para tirar partido de sistemas operativos como o Windows 95. O núcleo do processador tem 7,5 milhões de transístores e é baseado na tecnologia CMOS 0,25u. Além disso, beneficia da mesma micro arquitectura do núcleo do P6, tal como o Pentium II.
Características principais:
- Pensado e desenvolvido para o mercado dos PC caseiros.
- Velocidade de processamento a partir de 266MHz.
- Baseado na micro arquitectura Intel P6, a mesma do Pentium II.
- Inclusão da tecnologia MMX.
- Oferta das vantagens da tecnologia dynamic execution.
- Fabricado segundo o processo Intel 0,25u, que permite um aumento da frequência do núcleo e reduzido consumo de potência.
- Oferta de funcionalidade nos três vectores da performance – vírgula flutuante, integrais e multimédia.
- Utilização do sistema de bus de multitransacção a 66 MHz da micro arquitectura P6.
- Inclusão de uma cache de nível 1 (L1) de 32 KB (16K/16K).
- Fabricado usando a norma SEPP(Single Edge Processor Package), o que mantém a compatibilidade com o slot 1 para Pentium II.
Há que notar, no entanto, um pormenor em relação ao Celeron: ele necessita de um chipset novo para suportar, o 440EX. Apesar de também oferecer o suporte para gráficos AGP, oferece metade do desempenho do LX.
Mantendo as mesmas características do Celeron inicial, a Intel lançou novos processadores para as máquinas de entrada de gama: o Celeron 300 A e o Celeron 333, respectivamente, a 300 MHz e a 333Mhz, mas com a particularidade de terem já cache nível 2 de 128 KB, além de continuarem a beneficiar da mesma micro arquitectura P6 do Pentium II.
Devido à adição de 128 KB de cache L2, o núcleo do processador passou de 7,5 milhões de transístores de Celeron 266 MHz e 300 MHz, para 19 milhões nos Celeron 300 A e 333 MHz. Todos eles estão baseados na tecnologia de fabrico “Intels’s Advanced 0,25u”.
A partir das versões a 366 MHz e 400 MHz, a Intel adoptou um novo encapsulamento para o Celeron, o PPGA (Plastic Pin Grid Array) ou PGA370. O pga370 é idêntico ao tradicional socket 7, embora com 370 pinos (fig. 3.39).
Fig. 3.39 – PGA370
Outra das possibilidades do Celeron é termos dois CPU numa só board e assim ter uma estação de trabalho de alto desempenho, mas económica. O único senão é termos de usar um sistema operativo que tire partido do multiprocessamento, como o Windows NT ou, 2000, por exemplo. Na figura 3.40 podemos ver uma motherboard com dois sockets PGA370.
Fig. 3.40 – Motherboard para duplo processador
Vamos agora ver um resumo das principais versões do Celeron lançadas pela Intel (Tabela 3.14).
Esta tabela está num a folha à parte é preciso juntar.
3.5.8.5 Pentium II Xeon
O Pentium II Xeon foi desenvolvido a pensar nos servidores de média e alta gama, assim como nas estações de trabalho (fig. 3.41).
Fig. 3.41 – O encapsulamento do Pentium II Xeon
O Pentium II Xeon apresenta, entre as suas características, compatibilidade de arquitectura com os processadores Intel de gerações anteriores, entre elas a execução dinâmica e o barramento duplo independente da micro arquitectura P6 encontrada nos Pentium II.
As principais características do Xeon são:
- Velocidade de processamento de 400 MHz e 450 MHz.
- Cache L1 de 32 KB (16 KB para dados e 16 KB para instruções), o que permite um rápido acesso a dados mais solicitados.
- Endereços para cache até 64 GB de memória.
- Arquitectura de duplo bus independente que aumenta a performance e permite um maior fluxo de dados para o núcleo.
- Partilha de dados com o resto do sistema através de um barramento de multitransacção de 100MHz.
- Incorporação de uma cache de nível L2 à mesma velocidade do núcleo do CPU, isto é, a 400 MHz ou 450 MHz, o que aumenta extraordinariamente o fluxo de dados entre o processador e a cache.
- Suporte pelo barramento do sistema de múltiplas transacções, aceitando até 8 processadores. Isto permite multiprocessamento simétrico a 1 – 2- 4 ou 8 vias e oferece um incremento significativo de performance para sistemas operativos multitarefa e aplicações multithreaded.
- Permissão de endereçamento e colocação em cache de até 64 GB de memória.
- Tendo em vista a utilização de mais de 4 GB de memória por aplicações empresariais, combinação do suporte avançado ao processador de 36 bits (PSE-36) a caches de 36 bits e chipsets maiores de 4 GB.
Dentro das novidades em relação aos seus predecessores tem as características avançadas de gestão, entre as quais:
- Sensor térmico que permita que o sistema faça a gestão das condições térmicas, através da monitorização constante da temperatura do núcleo. Essa monitorização é efectuada por um díodo térmico incorporado no núcleo do CPU.
No caso de uma falha da ventoinha do dissipador, o díodo térmico inicia o processo de encerramento do sistema, de maneira a não provocar danos irreparáveis no processador ou mesmo no sistema.
- Verificação e correcção de erros (ECC), sendo essa verificação feita para todas as transacções do barramento do sistema e da cache L2 – os erros de bit único são corrigidos automaticamente e no caso dos de bit duplo o sistema é alertado. É efectuado um registo de todos os erros, de modo a que o sistema possa identificar quaisquer falhas nos seus componentes.
- Verificação de redundância funcional (FRC – Functional Redundancy Cheking) de modo a confirmar a integridade do processamento em aplicações “mission critical”. Este recurso compara as saídas de váriso processadores e verifica a existência de discrepâncias. No caso de dois processadores, um funciona como mestre e o outro como verificador. Caso exista alguma diferença entre as saídas dos processadores, o verificador envia um sinal ao sistema.
- Barramento de gestão do sistema (SMBus – System Management Bus) usado para uma comunicação eficiente entre o sensor térmico, a ROM de informações doprocessador (PI ROM – Processor Information ROM), a E2 PROM e o resto do sistema.
A PI ROM é uma memória de leitura, que tem um variado número de especificações operacionais, dados especiais e informações exclusivas do processador.
A E2PROM vem de fábrica sem qualquer tipo de informação armazenada, podendo ser utilizada por fabricantes de placas para introduzirem dados que considerem necessários.
Vejamos agora na tabela 3.15 as características principais do Pentium II Xeon.
| | 400 | 450 | 450 |
| Apresentação | Junho 1998 | Outubro 1998 | Janeiro 1999 |
| Velocidade de Relógio | 400 MHz | 450 MHz | 450 MHz |
| Cache L2 | 512 KB ou 1 MB | 512 KB ou 1 MB | 512 KB ou 1 MB |
| Número de Transístores | 7,5 milhões | 7,5 milhões | 7,5 milhões |
| Encapsulamento | SEC | SEC | SEC |
| Velocidade do Bus | 100 MHz | 100 MHz | 100 MHz |
| Bus do Sistema | 8 bytes | 8 bytes | 8 bytes |
| Memória Endereçável | 64 GB | 64 GB | 64 GB |
| Memória Virtual | 64 TB | 64 TB | 64 TB |
Tabela 3.15 – Características do Pentium II Xeon
3.5.8.6 Pentium III
O processador Intel Pentium III, cujo nome de código é Katmai, oferece uma performance excelente para qualquer software e é totalmente compatível com todo o tipo de software baseado na arquitectura Intel. O Pentium III está disponível nas velocidades de 450 MHz e 500 MHz. O processo de fabrico a 0,25u permite a estes processadores incorporar cerca de 9,5 milhões de transístores, o que resulta num maior poder de processamento em menos espaço.
O aumento significativo de performance sobre as arquitecturas baseia-se numa combinação da micro arquitectura P6, extensões Internet Streaming SIMD, aperfeiçoamento da tecnologia MMX e o número de série do processador.
As principais características do Pentium III são:
- Velocidade de processamento de 450 MHz e 500MHz.
- Utilização do processo de fabrico a 0,25u, o que permite reduzir o consumo de potência e aumentar as frequências do núcleo.
- Inclusão de extensões Internet Streaming SIMD, que são 70 novas instruções de código que permitem melhorias significativas em aplicações de imagem, 3D, vídeo, áudio e reconhecimento de fala.
- Aumento pela arquitectura DIB da largura de banda e da performance em relação aos processadores de barramento único.
- Inclusão de um número de série de processador, que permite que o computador, e por inerência o utilizador, seja facilmente reconhecido numa rede ou por aplicações.
- Cache L1 de 32 KB (16 KB para dados e 16 KB para instruções) e cache L2 unificada de 512 KB, o que permite um mais rápido acesso aos dados mais usados.
- Suporte de cache de memória até 4 GB de espaço endereçável.
- Permissão de sistemas escaláveis expandidos até dois processadores e 64 GB de memória física.
A tecnologia da micro arquitectura P6 Dynamic Execution, tal como visto anteriormente, consiste em:
- Multiple branch prediction – Prediz a execução do programa através de vários ramos, o que permite acelerar o funcionamento do processador.
- Data flow analysis – Cria, optimiza e reordena instruções analisando as dependências entre elas.
- Speculative execution – Executa as instruções especulativamente e, baseado nesta optimização, assegura que a execução superescalar do processador seja sempre utilizada.
As extensões Internet Streaming SIMD são 70 instruções novas e incluem uma instrução única, dados múltiplos para operações de vírgula flutuante, instruções adicionais SIMD – integer e controlo de cache. As tecnologias que vão beneficiar mais directamente destas novas instruções serão:
- Imagem a 3 dimensões, dado queo CPU permite mais altas contagens de polígonos e efeitos de luz.
- Animação, dado que o CPU vai permitir incorporar um maior realismo e interactividade.
- Processamento de imagens, oferecendo uma mais alta taxa de frames, profundidade de cores e algarismos de processamento de imagens, o que permite trabalhar com imagens maiores e mais complexas.
- Vídeo, que vai permitir a codificação e edição MPEG2 em tempo real.
- Reconhecimento de voz, que vai dar uma maior precisão e tempo de resposta mais rápido.
O número de série do processador é o primeiro passo para a segurança no PC e serve com um número de série electrónico para o processador e, por extensão, ao sistema ou ao utilizador, permitindo que o sistema ou o utilizador seja identificado por aplicações ou mesmo por uma rede. O número de série associado ao nome do utilizador e a uma palavra- -passe pode ser utilizado na Internet como um sistema de segurança em comércio electrónico, por exemplo. No entanto, estão a levantar-se obstáculos à utilização do número de série por poder criar o risco de violação de privacidade.
Entre outras características significativas do Pentium III encontram-se o encapsulamento SECC2, desenvolvido pela Intel, e que permite uma maior disponibilidade de espaço e maior protecção no manuseamento do CPU.
Tal como no Pentium II, a arquitectura de Duplo Bus Independente aumenta a performance e permite um maior fluxo de dados para o núcleo.
O barramento de sistema suporta transacções múltiplas e suporta até dois processadores. Isto permite multiprocessamento simétrico, aumentando a performance dos sistemas operativos multitarefa e das aplicações multithreaded.
A memória cache L2 unificada aumenta a performance, reduzindo a média do tempo de acesso e permitindo um rápido acesso a instruções e dados recentemente utilizados. A performance é aumentada através de um barramento de cache dedicado de 64 bits. A velocidade de cache L2 é igual à frequência do núcleo do CPU. Há verificação de erros (ECC) no barramento da cache L2.
Em Outubro de 1999, a Intel lança o Pentium III E, com 28,1 milhões de transístores e velocidades entre os 600 MHz e 1,26 GHz. A partir desta versão, a Intel introduziu algumas diferenças no PIII e uma delas tem a ver com o aspecto físico do mesmo, tendo a Intel abandonado a cartridge SECC e tendo voltado ao aspecto de CHIP com o socket 370. Outra diferença é o facto de a cache nível 2 ter passado de 52 KB para 256 KB, no entanto, a cache passou a trabalhar à mesma velocidade do processador. Ainda outra diferença bastante significativa é a utilização do processo de fabrico de 0,18u, isto é, os fios no interior do chip foram reduzidos de 0,25u para 0,18u, que é o mesmo que dizer 1/500 da espessura de um cabelo humano. A consequência imediata deste processo tecnológico foi a redução da tensão de 2,2 volts para 1,6 volts. Em consequência, o chip passou a desenvolver menos calor com a mesma frequência de relógio, podendo assim aumentar-se a velocidade de processamento.
Em Janeiro de 2000 apareceu a versão PIII EB com barramento a 133 MHz e as mesmas características da versão E, sendo EB simplesmente a indicação de barramento a 133 MHz. Teoricamente, a linha de processadoresP6 da Intel acabaria aqui. No entanto, a Intel decidiu continuar pelo menos durante mais um ano e, em Agosto de 2001, saiu uma versão de 0,13u, à qual foi dado o nome de “Tualatin”. Ao contrário dos seus antecessores que usavam fios de alumínio para as suas ligações internas, esta versão usa fios de cobre para fazer essas ligações. Este novo processador tem uma cache L2 de 256 KB ou 512 KB, trabalha a 1,475 volts e está montado num socket 370. O PIII Tualatin foi lançado em versões de 1,2 e 1,13 GHz, usando ambas as versões um FSB (Front Side Bus) de 133 MHz. Na figura 3.42 podemos ver todas as versões Pentium baseadas no núcleo P6.
Fig. 3.42 – A família Pentium P6